Não se assustem com o título. Este texto será um diálogo, na forma de debate (por isso que coloco aqui no blog, para se ter o canal de debate aberto) que inicio com ninguém menos que meu próprio irmão, Diogo, brilhante estudante de Direito porém um Liberal convicto, ao contrário de seu irmão que cá escreve. É uma tentativa de um texto mais leve, usando e afrontando termos da hegemonia, desta forma um pouco desprovido de cuidados conceituais, numa tentativa primordialmente pedagógica e ilustrativa.Então comecemos
"Os Estados Socialistas do Leste da Europa tinham muito de Estado e pouco ou nada de Socialistas. Quando ocorreu o desmoronamento, fomos todos convidados para os funerais do socialismo. Os coveiros erraram de defunto"
Eduardo Galeano
Começo partindo desta premissa. Em minha análise, não tivemos no mundo até hoje uma experiência de socialismo real. Aí é bom colocar alguns conceitos para que alguns desavisados não venham questionar lá na frente:
1- Marx descreve a Revolução Socialista como um processo histórico de rompimento com um modelo econômico-social em que tivéssemos um tal grau de desenvolvimento das forças produtivas que, em termos absolutos, pudesse garantir a todos os seres humanos os meios para sua vida, porém que seriam negados (os meios) pelas imposturas do sistema (no caso o capitalismo). E por que? Porque uma sociedade que se proponha a Socializar os meios de produção necessita antes de se estabalecer que estes meios de produção existam! Simples equação. Ou seja, para existir socialismo, precisaríamos de um capitalismo desenvolvido o suficiente.
2- Os processos Revolucionários são internacionalistas, e isso é imprescindível para o sucesso de um processo revolucionário. O que isso quer dizer? Quer dizer que, não adianta pipocar uma revolução num só país, ou pequeno conjunto de países, pois, vivendo num "mar capitalista" mais cedo ou mais tarde (dependendo da correlação de forças, do poderio bélico, barganha economica, etc) iria ser novamente engolido pelo sistema.
Vocês devem ter notado porquê escrevi estes dois tópicos. O tópico 1 mostra porquê a experiência soviética não pode ser considerada, na teoria e na prática, como experiência de socialismo real. Ora, a revolução de 1917 liderada por Lênin depôs uma burguesia que pairava sob um capitalismo desenvolvido? Claro que não. Os Revolucionários depuseram um sistema Feudal, o Czarismo, que em pleno século XX fazia da Rússia uma das mais atrasadas nações de seu tempo. Isto é, não existia um amadurecimento dos meios de produção, na verdade muito pelo contrário. Os revolucionários encontraram um Estado em frangalhos, sem aparelhos sociais, com mais da metade de sua população analfabeta. Isto quer dizer, que os esforços dos revolucionários bolcheviques na Rússia nos primeiros anos não se baseavam em construir o Socialismo em si, mas em construir uma estrutura Estatal que praticamente não existia.
Logicamente que os Soviets, a NEP, e outros instrumentos criados pelo regime foram algumas tentativas no sentido de mostrar ao povo o espírito do socialismo. Porém a experiência Russa, apesar de servir de referência para muita coisa, não avança muito mais para além disso no que tangemos o tema Socialismo, mas com a ascenção de Stálin ao poder avança e muito no sentido de Estado, principalmente Estado Policialesco.
Também não se pode esquecer que naquele momento histórico o mundo passava pela 2a guerra, e que um País recem-saido do feudalismo, teve o exército que mais fez diferença nesta guerra. O exercito vermelho foi o maior exercito da guerra e o principal responsavel pela derrota do hitlerismo. Aqui, vale lembrar o oportunismo de Hollywood, que com seus filmes faz com que gerações e gerações acreditem piamente que quem definiu a guerra foram os EUA que só entraram na jogada depois de Pearl Harbor. Isso é uma afronta à história. Daqui a algumas gerações deve aparecer nos livros que os soldados que mataram Hitler foram os mesmos que salvaram o Soldado Ryan.
Além disso, este mesmo Estado recém saído do Feudalismo, se configurou na segunda maior potência economica do mundo, fazendo frente aos EUA durante todo o perído de Guerra Fria. Ora, esse boom econômico russo só foi possível através de uma economia de Estado, planejada e orientada. Mas mesmo assim, relembrando a frase de Galeano no começo do texto, foi muito mais Estado e muito menos Socialismo. O povo soviético sofreu muito com esse militarismo e a burocracia stalinista, que produzia riqueza mas a gastava num único sentido, o de alimentar a guerra fria.
O tópico 2 fala de porquê não podemos usar a experiência Cubana como referência também. Apesar de que, desta vez temos orgulho de falar muitas coisas do Socialismo Cubano, desde o processo revolucionário até os dias de hoje. "No mundo inteiro, milhões de crianças passam fome. Nenhuma delas é Cubana." "No Mundo todo, milhões de crianças estão fora da escola. Nenhuma delas é Cubana." Estas duas frases sintetizam o que diriam várias outras mais, que foram as árduas conquistas da revolução. Porém, como manter um estrutura social desse tamanho, oferecendo Saúde, Educação e Cultura para o povo todo, (denovo, TODO), com uma economia de uma ilhota Caribenha, com um território pequeno, poucas riquezas minerais, não-suficiente do ponto de vista energético e ainda mais sofrendo um processo criminoso de Embargo econômico imposto pelos EUA há tanto tempo?? Só existe uma resposta: e é a situação de Cuba hoje.
Um Cubano recebe (estou chutando) duas camisas por ano? Pode ser, mas nenhum Cubano fica sem camisa. É um pensamento muito diferente do nosso aqui ou em qualquer país capitalista, mas gera um outro tipo de cultura no povo, uma cultura de solidariedade e desprendimento. É lógico que eu gostaria que as pessoas em Cuba tivessem muito mais que isso, não por consumo idiota, mas por necessidade mesmo. Porém a situação da geopolítica internacional nunca permitiu. Cuba cresceu muito nos anos da URSS, e dependia do petróleo da URSS para movimentar seu recente parque industrial (porque até antes da revolução, Cuba era um grande Cabaré de Norte-americanos que plantava tabaco e banana). Depois do fim da URSS, os EUA nunca deixaram ninguém comercializar com os cubanos.
As coisas tem melhorado muito em Cuba após os tratados de comércio com os Governos Progressistas da América Latina, como Venezuela, Bolívia, Argentina e em menor medida com o Brasil. Mas mesmo assim o embargo ainda impede muuuita coisa. Mas é muito lógico como Cuba pode incomodar tanta gente (mais do que 50 elefantinhos!): sem dinheiro quase nenhum, tem uma das melhores Medicinas do mundo e um sistema de políticas sociais de fazer inveja aos países nórdicos.
Pronto diogo, essas foram as premissas. Hehehehehhe. Agora dialoguemos com o texto que voce enviou. Pro leitor que não o leu, eu vou recortá-lo e vou comentar aos poucos, mas se juntar terão a íntegra do texto.
Bem interessante!
Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.
Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e 'justo'.
O professor então disse: "Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas."
Já começou errado. Uma das premissas do Socialismo é "de cada um de acordo com suas capacidades, a cada um de acordo com suas necessidades". Isto não quer dizer que todos serão iguais entre si, mas sim iguais perante o Estado. É nesta parte que o pensamento hegemônico e falso se pega mais para criticar o socialismo, e de maneira sempre equivocada. O livro de Oscar Wilde, chamado "A Alma do homem sob o Socialismo" evidencia bem isso. As pessoas seriam diferentes entre si, porque cada uma tem sua individualidade, e somente sob o Socialismo, TODOS teriam a oportunidade de se desenvolver enquanto seres humanos, em todos os aspectos. Seja do ponto de vista de Estudo, de desenvolvimento artístico, científico, político, esportivo, etc. Nós não teríamos apenas uma pequena parcela de nossa juventude dentro da universidade e a outra parcela sonhando em ser jogador de futebol, porque TODOS teriam oportunidade de escolher o que quer que seja, mas logicamente de acordo com suas habilidades pessoais. Esta idéia é vendida pelos Liberais falsamente como pertencente ao Capitalismo, porém já estamos carecas de saber que não adianta quão rico é um país, o Índice de Gini continuará a medir o grau de desisgualdade, que é inerente do capitalismo.
Parafraseando mais uma vez Galeano, o sistema se baseia na necessária desigualdade entre as partes (vejam bem, desigualdade aqui é entre as classes sociais, desigualdade financeira, e não de diferenças individuais).
1- Marx descreve a Revolução Socialista como um processo histórico de rompimento com um modelo econômico-social em que tivéssemos um tal grau de desenvolvimento das forças produtivas que, em termos absolutos, pudesse garantir a todos os seres humanos os meios para sua vida, porém que seriam negados (os meios) pelas imposturas do sistema (no caso o capitalismo). E por que? Porque uma sociedade que se proponha a Socializar os meios de produção necessita antes de se estabalecer que estes meios de produção existam! Simples equação. Ou seja, para existir socialismo, precisaríamos de um capitalismo desenvolvido o suficiente.
2- Os processos Revolucionários são internacionalistas, e isso é imprescindível para o sucesso de um processo revolucionário. O que isso quer dizer? Quer dizer que, não adianta pipocar uma revolução num só país, ou pequeno conjunto de países, pois, vivendo num "mar capitalista" mais cedo ou mais tarde (dependendo da correlação de forças, do poderio bélico, barganha economica, etc) iria ser novamente engolido pelo sistema.
Vocês devem ter notado porquê escrevi estes dois tópicos. O tópico 1 mostra porquê a experiência soviética não pode ser considerada, na teoria e na prática, como experiência de socialismo real. Ora, a revolução de 1917 liderada por Lênin depôs uma burguesia que pairava sob um capitalismo desenvolvido? Claro que não. Os Revolucionários depuseram um sistema Feudal, o Czarismo, que em pleno século XX fazia da Rússia uma das mais atrasadas nações de seu tempo. Isto é, não existia um amadurecimento dos meios de produção, na verdade muito pelo contrário. Os revolucionários encontraram um Estado em frangalhos, sem aparelhos sociais, com mais da metade de sua população analfabeta. Isto quer dizer, que os esforços dos revolucionários bolcheviques na Rússia nos primeiros anos não se baseavam em construir o Socialismo em si, mas em construir uma estrutura Estatal que praticamente não existia.
Logicamente que os Soviets, a NEP, e outros instrumentos criados pelo regime foram algumas tentativas no sentido de mostrar ao povo o espírito do socialismo. Porém a experiência Russa, apesar de servir de referência para muita coisa, não avança muito mais para além disso no que tangemos o tema Socialismo, mas com a ascenção de Stálin ao poder avança e muito no sentido de Estado, principalmente Estado Policialesco.
Também não se pode esquecer que naquele momento histórico o mundo passava pela 2a guerra, e que um País recem-saido do feudalismo, teve o exército que mais fez diferença nesta guerra. O exercito vermelho foi o maior exercito da guerra e o principal responsavel pela derrota do hitlerismo. Aqui, vale lembrar o oportunismo de Hollywood, que com seus filmes faz com que gerações e gerações acreditem piamente que quem definiu a guerra foram os EUA que só entraram na jogada depois de Pearl Harbor. Isso é uma afronta à história. Daqui a algumas gerações deve aparecer nos livros que os soldados que mataram Hitler foram os mesmos que salvaram o Soldado Ryan.
Além disso, este mesmo Estado recém saído do Feudalismo, se configurou na segunda maior potência economica do mundo, fazendo frente aos EUA durante todo o perído de Guerra Fria. Ora, esse boom econômico russo só foi possível através de uma economia de Estado, planejada e orientada. Mas mesmo assim, relembrando a frase de Galeano no começo do texto, foi muito mais Estado e muito menos Socialismo. O povo soviético sofreu muito com esse militarismo e a burocracia stalinista, que produzia riqueza mas a gastava num único sentido, o de alimentar a guerra fria.
O tópico 2 fala de porquê não podemos usar a experiência Cubana como referência também. Apesar de que, desta vez temos orgulho de falar muitas coisas do Socialismo Cubano, desde o processo revolucionário até os dias de hoje. "No mundo inteiro, milhões de crianças passam fome. Nenhuma delas é Cubana." "No Mundo todo, milhões de crianças estão fora da escola. Nenhuma delas é Cubana." Estas duas frases sintetizam o que diriam várias outras mais, que foram as árduas conquistas da revolução. Porém, como manter um estrutura social desse tamanho, oferecendo Saúde, Educação e Cultura para o povo todo, (denovo, TODO), com uma economia de uma ilhota Caribenha, com um território pequeno, poucas riquezas minerais, não-suficiente do ponto de vista energético e ainda mais sofrendo um processo criminoso de Embargo econômico imposto pelos EUA há tanto tempo?? Só existe uma resposta: e é a situação de Cuba hoje.
Um Cubano recebe (estou chutando) duas camisas por ano? Pode ser, mas nenhum Cubano fica sem camisa. É um pensamento muito diferente do nosso aqui ou em qualquer país capitalista, mas gera um outro tipo de cultura no povo, uma cultura de solidariedade e desprendimento. É lógico que eu gostaria que as pessoas em Cuba tivessem muito mais que isso, não por consumo idiota, mas por necessidade mesmo. Porém a situação da geopolítica internacional nunca permitiu. Cuba cresceu muito nos anos da URSS, e dependia do petróleo da URSS para movimentar seu recente parque industrial (porque até antes da revolução, Cuba era um grande Cabaré de Norte-americanos que plantava tabaco e banana). Depois do fim da URSS, os EUA nunca deixaram ninguém comercializar com os cubanos.
As coisas tem melhorado muito em Cuba após os tratados de comércio com os Governos Progressistas da América Latina, como Venezuela, Bolívia, Argentina e em menor medida com o Brasil. Mas mesmo assim o embargo ainda impede muuuita coisa. Mas é muito lógico como Cuba pode incomodar tanta gente (mais do que 50 elefantinhos!): sem dinheiro quase nenhum, tem uma das melhores Medicinas do mundo e um sistema de políticas sociais de fazer inveja aos países nórdicos.
Pronto diogo, essas foram as premissas. Hehehehehhe. Agora dialoguemos com o texto que voce enviou. Pro leitor que não o leu, eu vou recortá-lo e vou comentar aos poucos, mas se juntar terão a íntegra do texto.
Bem interessante!
Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.
Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e 'justo'.
O professor então disse: "Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas."
Já começou errado. Uma das premissas do Socialismo é "de cada um de acordo com suas capacidades, a cada um de acordo com suas necessidades". Isto não quer dizer que todos serão iguais entre si, mas sim iguais perante o Estado. É nesta parte que o pensamento hegemônico e falso se pega mais para criticar o socialismo, e de maneira sempre equivocada. O livro de Oscar Wilde, chamado "A Alma do homem sob o Socialismo" evidencia bem isso. As pessoas seriam diferentes entre si, porque cada uma tem sua individualidade, e somente sob o Socialismo, TODOS teriam a oportunidade de se desenvolver enquanto seres humanos, em todos os aspectos. Seja do ponto de vista de Estudo, de desenvolvimento artístico, científico, político, esportivo, etc. Nós não teríamos apenas uma pequena parcela de nossa juventude dentro da universidade e a outra parcela sonhando em ser jogador de futebol, porque TODOS teriam oportunidade de escolher o que quer que seja, mas logicamente de acordo com suas habilidades pessoais. Esta idéia é vendida pelos Liberais falsamente como pertencente ao Capitalismo, porém já estamos carecas de saber que não adianta quão rico é um país, o Índice de Gini continuará a medir o grau de desisgualdade, que é inerente do capitalismo.
Parafraseando mais uma vez Galeano, o sistema se baseia na necessária desigualdade entre as partes (vejam bem, desigualdade aqui é entre as classes sociais, desigualdade financeira, e não de diferenças individuais).
Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas'. Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...
Depois que a média das primeiras provas foi tirada, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.
Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D".
Ninguém gostou.
Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".
As notas não voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala.
Portanto, todos os alunos repetiram o ano... para sua total surpresa.
O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes.
Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.
Mais um erro tanto teórico quanto metodológico. Lembre que essa "experiência" bizarra foi feita numa sala de aula de um país Capitalista. Sob o socialismo impera o cooperativismo, ou seja, a ajuda mútua entre as partes. Se num país X, socialista, tivessemos uma fabrica de pão, e uma parte do povo começasse a parar de produzir ia faltar pão pra todo mundo, inclusive para quem parou de trabalhar. Isto necessariamente iria levar os ditos "preguiçosos" ao trabalho novamente, não é? E eles iriam saber que, se conseguissem melhorar os meios de produção da fábrica de pão, e produzissem em menos tempo (e com mais eficiência) este pão, teriam mais tempo para se dedicar a outras coisas que não somente o pão de cada dia (que é a necessidade mais básica) mas também a se desenvolver em vários sentidos, seja se tornando musico, pintor, médico, engenheiro, artista, etc. Percebam que o Capitalismo tolhe a maior parte da população mundial disso. Se mais de 2/3 do mundo vai dormir sem saber se vai ter o que comer amanhã, vai se preocupar com desenvolvimento pessoal?? Nunca! Então, a Lei do Menor esforço individual não cola com o Socialismo. Na verdade, as poucas experiências que apontam para o socialismo como Cuba e a própria URSS mostram exatamente o contrário! Os exemplos para isso já foram dados lá em cima.
"Quando a recompensa é grande", ele disse, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."
Esse parágrafo foi menor porque é mais bizarro. Dizer que os pobres não batalham pra ficar ricos no mundo que a gente vive hoje é um completo absurdo. É como dizer que os anões são anões porque eles não querem crescer, e na verdade achar que todos são meninos teimosos e preguiçosos! Não estou desconsiderando alguns casos particulares, de individuos que apesar das adversidades conseguem "ascensão social", aqueles que realmente tiram na loteria da vida. Mas quanto estes casos especificos mudam a dinâmica social? Nada. E porquê? Porque a lei imutável de que para haver um patrão rico necessariamente tem que existir 10000 trabalhadores pobres não muda! Isso é economia política básica.
"Não se pode levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.
Este último parágrafo eu dissequei para analisarmos melhor. Para este autor, os ricos são ricos porque foram competentes em alguma coisa, e honestos. Um olhar superficial pode tornar a frase agradável de se ver. Mas se formos aprofundar na história da riqueza do Homem, vemos que honestidade foi a palavra que menos fora usada na história do desenvolvimento do capitalismo. Saindo das corporações de ofício e chegando nas mega produções industriais, a essência do modo de produção capitalista se baseia no acumulo de capital de um em cima do trabalho do outro.
Peguemos a Fábrica de Pão capitalista. O patrão( seu josé) tem os fornos, os rolos de madeira e farinha de trigo. Mas juntando tudo isso ele tem pão? Não. Ele precisa do empregado para fazer o pão. O empregado vende suas horas de trabalho para seu josé, mas quem determina o salário? Quem emprega, logicamente. Agora, com 1 padeiro, seu josé começa a ter um lucro. Percebam que o trabalho de transformaçao do trigo em pão (isto é, o trabalho transformador da natureza que tem valor de uso) é feito pelo padeiro, e não pelo seu josé. Seu josé apenas transforma ele em valor de troca, e vende por um preço um pouco maior do que a proporçao dos gastos que ele tem. Se ano que vem, seu josé tiver 10 padeiros, seu lucro será muito maior. Mas porque? Somente porque aumentou a venda de pães? Não. Porque a acumulação de seu josé se baseia na apropriaçao das horas de trabalho dos padeiros. Isto é, quem realmente gera a riqueza para seu José é o trabalho dos outros!
Para cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar à alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."
Adrian Rogers, 1931
Este é o trecho final. A primeira frase faz lembrar algo? Sim, a logica do sistema capitalista. Seu josé mesmo recebe sem trabalhar, enquanto os padeiros trabalham sem receber o devido quantitativo ao que produziram. Acho que o resto da frase ja foi extensamente discutido anteriormente. E a última frase faz parte de uma premissa básica do sistema capitalista: a de que os homens são individualistas, e só num ambiente competitivo conseguem multiplicar as riquezas. Ainda bem que a história já mostrou o contrário.
E falando nela (na história), vou aqui concluir este texto. Dar exemplos a esmo, como dei aqui, abrem margem para um monte de questionamentos. Mas nada pode questionar a história, porque o tempo passado não pode ser mudado. E a análise minuciosa da história do desenvolvimento do capitalismo feita por Marx (lido inclusive por muito economista na última crise) expõe as chagas de um sistema que nasceu e se criou em cima de guerras, derramamento de sangue, desonestidade e suplantou estes valores na cabeça de cada um e cada uma, que para se dar bem na vida, siga seus instintos mais animais, e é cada um por si. Mas ainda bem que Engels escreveu um texto chamado "O Papel do trabalho na transformação do Macaco em Homem", que delimita claramente: não, a humanidade não está condenada a viver atrás de seus instintos mais primitivos; e sim, através do trabalho é possível construir uma Sociedade justa e igualitária.
Acho que já deu.
Diogo, recomendo a você e ao cara que escreveu esse texto: A história da Riqueza do Homem, do norte-americano Leo Hubberman, escrito no início do século XX.
Depois que a média das primeiras provas foi tirada, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.
Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D".
Ninguém gostou.
Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".
As notas não voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala.
Portanto, todos os alunos repetiram o ano... para sua total surpresa.
O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes.
Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.
Mais um erro tanto teórico quanto metodológico. Lembre que essa "experiência" bizarra foi feita numa sala de aula de um país Capitalista. Sob o socialismo impera o cooperativismo, ou seja, a ajuda mútua entre as partes. Se num país X, socialista, tivessemos uma fabrica de pão, e uma parte do povo começasse a parar de produzir ia faltar pão pra todo mundo, inclusive para quem parou de trabalhar. Isto necessariamente iria levar os ditos "preguiçosos" ao trabalho novamente, não é? E eles iriam saber que, se conseguissem melhorar os meios de produção da fábrica de pão, e produzissem em menos tempo (e com mais eficiência) este pão, teriam mais tempo para se dedicar a outras coisas que não somente o pão de cada dia (que é a necessidade mais básica) mas também a se desenvolver em vários sentidos, seja se tornando musico, pintor, médico, engenheiro, artista, etc. Percebam que o Capitalismo tolhe a maior parte da população mundial disso. Se mais de 2/3 do mundo vai dormir sem saber se vai ter o que comer amanhã, vai se preocupar com desenvolvimento pessoal?? Nunca! Então, a Lei do Menor esforço individual não cola com o Socialismo. Na verdade, as poucas experiências que apontam para o socialismo como Cuba e a própria URSS mostram exatamente o contrário! Os exemplos para isso já foram dados lá em cima.
"Quando a recompensa é grande", ele disse, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."
Esse parágrafo foi menor porque é mais bizarro. Dizer que os pobres não batalham pra ficar ricos no mundo que a gente vive hoje é um completo absurdo. É como dizer que os anões são anões porque eles não querem crescer, e na verdade achar que todos são meninos teimosos e preguiçosos! Não estou desconsiderando alguns casos particulares, de individuos que apesar das adversidades conseguem "ascensão social", aqueles que realmente tiram na loteria da vida. Mas quanto estes casos especificos mudam a dinâmica social? Nada. E porquê? Porque a lei imutável de que para haver um patrão rico necessariamente tem que existir 10000 trabalhadores pobres não muda! Isso é economia política básica.
"Não se pode levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.
Este último parágrafo eu dissequei para analisarmos melhor. Para este autor, os ricos são ricos porque foram competentes em alguma coisa, e honestos. Um olhar superficial pode tornar a frase agradável de se ver. Mas se formos aprofundar na história da riqueza do Homem, vemos que honestidade foi a palavra que menos fora usada na história do desenvolvimento do capitalismo. Saindo das corporações de ofício e chegando nas mega produções industriais, a essência do modo de produção capitalista se baseia no acumulo de capital de um em cima do trabalho do outro.
Peguemos a Fábrica de Pão capitalista. O patrão( seu josé) tem os fornos, os rolos de madeira e farinha de trigo. Mas juntando tudo isso ele tem pão? Não. Ele precisa do empregado para fazer o pão. O empregado vende suas horas de trabalho para seu josé, mas quem determina o salário? Quem emprega, logicamente. Agora, com 1 padeiro, seu josé começa a ter um lucro. Percebam que o trabalho de transformaçao do trigo em pão (isto é, o trabalho transformador da natureza que tem valor de uso) é feito pelo padeiro, e não pelo seu josé. Seu josé apenas transforma ele em valor de troca, e vende por um preço um pouco maior do que a proporçao dos gastos que ele tem. Se ano que vem, seu josé tiver 10 padeiros, seu lucro será muito maior. Mas porque? Somente porque aumentou a venda de pães? Não. Porque a acumulação de seu josé se baseia na apropriaçao das horas de trabalho dos padeiros. Isto é, quem realmente gera a riqueza para seu José é o trabalho dos outros!
Para cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar à alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."
Adrian Rogers, 1931
Este é o trecho final. A primeira frase faz lembrar algo? Sim, a logica do sistema capitalista. Seu josé mesmo recebe sem trabalhar, enquanto os padeiros trabalham sem receber o devido quantitativo ao que produziram. Acho que o resto da frase ja foi extensamente discutido anteriormente. E a última frase faz parte de uma premissa básica do sistema capitalista: a de que os homens são individualistas, e só num ambiente competitivo conseguem multiplicar as riquezas. Ainda bem que a história já mostrou o contrário.
E falando nela (na história), vou aqui concluir este texto. Dar exemplos a esmo, como dei aqui, abrem margem para um monte de questionamentos. Mas nada pode questionar a história, porque o tempo passado não pode ser mudado. E a análise minuciosa da história do desenvolvimento do capitalismo feita por Marx (lido inclusive por muito economista na última crise) expõe as chagas de um sistema que nasceu e se criou em cima de guerras, derramamento de sangue, desonestidade e suplantou estes valores na cabeça de cada um e cada uma, que para se dar bem na vida, siga seus instintos mais animais, e é cada um por si. Mas ainda bem que Engels escreveu um texto chamado "O Papel do trabalho na transformação do Macaco em Homem", que delimita claramente: não, a humanidade não está condenada a viver atrás de seus instintos mais primitivos; e sim, através do trabalho é possível construir uma Sociedade justa e igualitária.
Acho que já deu.
Diogo, recomendo a você e ao cara que escreveu esse texto: A história da Riqueza do Homem, do norte-americano Leo Hubberman, escrito no início do século XX.
2 comentários:
Fala Gaucho,
Engraçado ver o tema do seu texto, pq justamente ontem publiquei um texto tbm sobre os liberais no meu blog.
Eu ando lendo ultimamente um cara chamado Robert Kurz, num livro escrito durante o processo de desmantelamento do leste "socialista". Ele faz uma análise muito interessante sobre como que a queda do "capitalismo estatal" da URSS está na verdade intimamente ligado à crise da nossa sociedade do trabalho voltado para o valor de troca. Ele tenta provar que o grande problema do movimento operário (e posteriormente da burocracia sovietica) foi não conseguir assimilar verdadeiramente a critica da economia politica de Marx. Acho que dialoga muito com o que você escreveu. O livro chama O colapso da Modernização.
Abraço,
Bahia
Fala Bahia, blza cara?
Interessante essa análise, vou dar uma pesquisada mais sobre o Kurz.
Voce me lembrou de colocar uma errata em relação ao texto que escrevi: a NEP (nova política economica) não foi uma tentativa de experimentar experiências socialistas, muito pelo contrário. Ela foi a forma encontrada pelo Estado soviético para o desenvolvimento do Capitalismo de Estado. A idéia a partir daqui segue o que escrevi anteriormente, amadurecer os meios de produção para daí partir ao Socialismo.
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